Paisagismo incorpora práticas de economia no consumo da água

“Ó jardineira, por que estás tão triste? Se é porque está gastando água demais para cuidar das plantas, saiba que existe solução para esse problema. Além de algumas medidas simples que podem ajudar a regar com mais eficiência, já estão disponíveis, no mercado, tecnologias capazes de regular e direcionar a irrigação. No final das contas, a promessa é que o jardim continue bonito, mas com um custo de manutenção inferior.
Entre essas tecnologias, profissionais de jardinagem e paisagismo destacam o gotejamento, que, junto à microaspersão, forma a chamada irrigação localizada. A técnica faz com que a água chegue diretamente às plantas, na quantidade ideal, evitando, por exemplo, o desperdício provocado pelo uso de mangueiras. “A economia é muito variável, mas um bom parâmetro é o da eficiência de aplicação da água. No gotejamento, o índice é de até 95%, enquanto o sistema convencional fica em torno de 65% ou 70%”, explica Jânio Pereira, funcionário da Asbranor, empresa especializada em irrigação.
Segundo ele, o ganho de eficiência tem motivado uma demanda crescente em Pernambuco, incluindo condomínios, praças, parques e jardins individuais. É possível implantar o sistema de forma automatizada, utilizando um painel para programar o acionamento e determinar período e duração da irrigação por dia.
Segundo a diretora comercial da EcoGreen, empresa especializada em construção e arquitetura sustentável, Catarina Durães, o gotejamento é aplicável a diferentes ambientes. “Não trabalhamos tanto com o telhado verde, em que o sistema pode ser embutido na terra, quanto com o jardim vertical, no qual a mangueira é visível”, afirma, explicando que a primeira opção, por ser mais complexa, chega a ser duas vezes mais cara para o consumidor. O paisagista e engenheiro agrônomo Marcelo Kozmhinsky reforça a versatilidade da técnica, lembrando que ela é empregada também no setor agrícola, especialmente como uma saída econômica em locais com pouca disponibilidade de água.

Ganho de eficiência com equipamentos tem motivado uma demanda crescente em Pernambuco, incluindo condomínios, praças, parques e jardins individuais. Foto: Alcione Ferreira/ Arquivo DP/ D.A.Press

Segundo Jânio Pereira, da Asbranor, o custo de instalação do sistema de gotejamento varia de R$ 10 a R$ 30 por metro quadrado, em projetos de paisagismo. Uma das empresas pernambucanas a investir na tecnologia foi a loja de produtos naturais e suplementos Empório Funcional, localizada nas Graças, Zona Norte do Recife. Parte da fachada do estabelecimento é preenchida por um jardim vertical. “Com o gotejamento, a água vai direto ao ponto. Às vezes, um funcionário vai limpar a frente da loja, com mangueira, e acaba regando as plantas também. Então, dá para perceber bem como o desperdício é maior”, afirma o gerente, Fábio Uchoa.
Para quem não quiser ou não puder gastar com tecnologias, valem as boas, velhas e baratas medidas de economia de água. Os especialistas recomendam, por exemplo, que se substitua a mangueira por um regador, de forma a controlar melhor o volume consumido. Outra dica é aguar o jardim durante a noite ou nas primeiras horas da manhã, quando o sol está mais fraco. Isso garante uma menor evaporação e, consequentemente, maior eficiência na atividade.

Tiago Cisneiros.