Um novo Jardim Botânico

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Ao reunir espécies nada tradicionais para o olhar comum, o Jardim Botânico cumpre a tarefa de aproximar a população de um verdadeiro ecossistema. Atrativo de grande importância na área de 10,7 hectares delimitados no bairro do Curado, Zona Oeste do Recife, onde as novas instalações vêm reconquistando o público afeito por áreas verdes na cidade. As surpresas surgem pelo caminho de concreto que corta a mata, onde é possível ouvir o barulho de aves e outros bichos existentes na mata. Por ali, há vida suficiente para acolher árvores de grande porte como o Abricó de Macaco, comum na Praça de Dois Irmãos, nativa da Amazônia, e conhecida por sua floração exuberante brotada diretamente do tronco. O entorno aponta grande quantidade de matéria orgânica útil na recuperação do nosso solo tão ácido. Ao contrário do que muitos pensam, as folhas caídas são a riqueza de áreas como essa ou mesmo de um jardim. Outro sinal de vida saudável está nas “manchas brancas” do caule, denominadas liquens, sinalizando clima atmosférico adequado.

O primeiro setor de exposição é o de plantas medicinais, com sua temática sempre presente na cultura popular nordestina. O que se vê é um ambiente harmônico e de composição formada por Hortelã, Capim

Santo, Arruda, Begônia e a popular Babosa capaz de restaurar a fibra capilar. Na sequência, um canto só de Bromélias. Aqui, elas surgem plantadas no chão ou no tronco das árvores acumulando a matéria orgânica dentro do copo que se forma no centro das folhas.

O percurso revitalizado indica a variedade de espécies estrangeiras e nativas convivendo no mesmo habitat. O Pau-Brasil é uma das nossas árvores de destaque, que hoje possui acervo considerável na capital graças ao trabalho do engenheiro agrônomo Vasconcelos Sobrinho em recuperar seu plantio no século passado.

A parte ornamental fica por conta das palmeiras comuns de outros países. É uma coleção exótica incluindo as espécies Laca, Triângulo, Fênix, Garrafa e Azul. Essa última é muito utilizada nos projetos de paisagismo por conta da sua forma escultórica.

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Outro “setor” avistado adiante revela um acervo típico da nossa região. São cactos como Facheiro, Xique-xique e os característicos Mandacarú e Coroa de Frade – com sua bela forma arredondada e achatada.

Nesse mesmo trajeto, a área das Orquídeas é parada obrigatória. As pessoas acham que esta é uma planta de difícil cultivo, quando é algo extremamente fácil. Para a flor crescer anualmente, basta aguá-la duas vezes por semana deixando-a em luz natural. Dependendo da espécie e do cuidado, seu tempo de vida pode ser de muitos anos. Uma das mais curiosas é a espécie Vanda posta suspensa para também captar os nutrientes do ar.

O Jardim Tropical reúne cor e beleza. Aqui, o destaque vai para a composição paisagística de tonalidades bem vivas. Desde o vermelho intenso da Cordyline até o verde e amarelo das Helicônias – usadas em arranjo de mesa ou nos jardins que beiram muros, já que podem atingir três metros de altura.

Para coroar o fim do passeio, outras espécies de cores vibrantes mostram-se frutos da infinita  possibilidade trazida pela natureza, que o Jardim Botânico apresenta de maneira educativa a todas as idades. São elas o Manjericão Roxo, a Orquídea Azul  — tingida artificialmente —, e tipos de Onze Horas.

Fotos: Victor Muzzi